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Presidente decreta Luto oficial de três dias - Portaria 020/2020

Homem muito ativo no que se refere a ser presente no crescimento da região norte de Mato Grosso, pirncipalmente de Vera, seu Alceu do Cartório como era conhecido popularmente, sempre tinha em sua memória grandes histórias da cidade para contar. Em 2017 escreveu uma linda carta em homenagem ao aniversário de 45 anos de fundação de Vera (VEJA ABAIXO).

Também foi tutulado CIDADÃO MATO-GROSSENSE no dia 06 de maio de 2014 na Assembléia Legislativa do Estado. 

Sua história:
ALCEU RHEINHEIMER, nasceu no ano de 1952, na cidade de Três Passos no interior do Estado do Rio Grande do Sul, lá foi garçom e gráfico, no ano de 1970 muda-se para a cidade de Toledo no Paraná, e lá teve notícia de que no norte de Mato Grosso surgia um “Novo Eldorado”, a Gleba Cleste da Colonizadora Sinop S/A, que atendia o chamamento do governo Federal para “INTREGAR PARA NÃO ENTREGAR A AMAZÔNA”, em 1976 decidiu conhecer o Estado e escolheu a cidade de Vera para morar, a primeira cidade fundada no nortão do Estado.

Lá, fez de tudo um pouco, foi agricultor, auxiliar de secretaria, secretário, professor e diretor da Escla estadual local, e, para melhorar seu orçamento trabalhou em madeireira, foi fotógrafo e taxista. Como se pode notar ele participou ativamente da vida social da cidade e dos acontecimentos mais importantes da comunidade, principalmente na organização do plebiscito para a emancipação política e administrativa de Vera.

Um homem sem medo de obstáculos que enfrentou todos eles com muita bravura. Foi presidente e hoje é secretário da Associação de Pequenos e Mini-Produtores Rurais Dio Vale do Caiabi, onde lutou e levou a eletrificação rural contribuindo para a fixação do homem campo, assim como a aquisição de Patrulha Mecanizada.

Como presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento de Vera foi o idealizador e organizador de Associações de Moradores de Bairros. É sócio fundador do CTG de Vera, onde foi Vice-Patrão e hoje é secretário. No meio empresarial também se destacou como Secretário da Associação de Madeireiros do Município. Fundador e presidente do Partido Liberal-PL e posteriormente do PSDB local.

Foi o primeiro presidente do Rotary Club de Vera e mentor do projeto de elevação de Vera em nível de Comarca, tendo sido o responsável como presidente, da Comissão para a construção do prédio do Forum, concluído e inaugurado em 2005, desde 1983 é Oficial do Cartório do 2º Ofício de Vera.

Alceu é casado com a senhora Neli Rheinheimer, e sempre se orgulhou de dizer, que com ela formou seu maior patrimônio, seus filhos, Sheila, advogada, Shahla, Bacharel em Direito e Oficial do Cartório do Primeiro Ofício e João Alceu, Acadêmico de Medicina.

 

CARTA ESCRITA EM HOMENAGEM AOS 45 ANOS DE VERA EM 2017

“No centenário de nascimento do SR. ENIO PIPINO, muitas lembranças percorrem minha memória, quantas historias nos contaria se ainda estivesse entre nós, mas os registros de sua determinação e pioneirismo nos dão a dimensão de sua grandeza e importância para nossa região e Brasil.

Em Vera sua primeira Cidade no Norte de Mato Grosso, iniciou o que hoje é uma das regiões mais promissoras do país. Alguns fatos que lembro e estão sempre atuais nos meus pensamentos relato aqui brevemente, em alusão ao aniversário de fundação de VERA, comemorado no dia 27 de julho, aos pioneiros para lembranças e aos que vem chegando, a alegria de compartilhar um pouco de história.

No inicio do ano de 1976, minha curiosidade sobre esta nova região, aguçou, já sentia algo diferente, contagiante, além das belezas naturais a receptividade do povo me cativou e aqui estou até hoje.

Olhava a densa mata, para todos os lados a mesma imagem, com cuidad, atravessava a floresta da igrejinha à chácara de Seu Aloísio, atentos ao chão por causa de alguma cobra, ao lado por causa de onça e para cima tentando ver o biscateiro que assoviava estridente, nunca o viram.

Ao sair da mata o sol de 40 graus, poeira fina como talco entrando no meu kichute e o vento forte soprando areia nas canelas, apressava meus passos, pois logo ali a minha espera, estava minha namorada Neli, linda e cheirosa me convidando para almoço preparado por Dona Maria, aipim com mistura e carne de porco na lata.

Passeamos muito no farinheiro seu Dervino, onde torrava e nos servia um cafezinho da hora. Foi lá que o saudoso Ivo encontraria a mocinha Giselda. No borboleteiro seu Alvino e esposa. Juntamente com as estudiosas meninas Aleda e Alediná a prosa se estendia falando de sua atividade. Voltando, já hora de pegar o leitinho para o mingau do Juquinha, seu Evaldo já havia providenciado.

Na dona Quitéria não era fácil passar, o aroma de seu fogão era de empacar. O seu Bató, colocava a cabeça de boi, anunciando que a mistura havia chegado e com habilidade raspava o toco e com cortes certeiros com seu machado servia o freguês a contento.

Logo em frente seu Luiz da Rodoviária “alto-falante”, comunicava que o carro 47 de seu Kobayasti sairia em seguida, atrasando alguns minutos, pois a Irmã Adelis embarcaria um garimpeiro que ela recuperou da malária, com muitos frascos de soro, cujos recipientes eram de vidro e sinalizavam lá no campo santo que muitos não tiveram a mesma sorte.

Atrativo principal era a maior festa do Estado de Mato Grosso, organizada pela comissão dirigida por Padre Antonio era a Santa Missa, com cânticos entoados por seu Albino e seu Silvério, os mesmos que animaram meu casamento, registrado com uma Kodak, pela Irmã Edhita.

Finalizando as missas, entre saudação e oração final, Padre Antonio, já abordava seu Armando Matarazzo, para uma canastrinha, acompanhado de um bom queijo preparado pela dona Elenir.

Não raras vezes encontrava o carismático seu Nonô, na chuva ou poeira, levando a hóstia sagrada para um irmão acamado, muitas vezes a extrema-unção. A noticia de passamentos vinha pela radio cipó do Cabral, "Velho Pangaré".

Noticias dos entes do sul ou nordeste, vinham via rádio amador da Colonizadora Sinop, que funcionava duas horas por dia e os mais afoitos usavam telefone a manivela, indo para tanto até Nobres.

Seu Genildo preocupado em que poderia faltar alimentos na cidade, não sei de que forma acionava a Cobal e em seguida o Búfalo da FAB descia com enlatados, charque, leite em pó, foices e outros tantos, limitando uma cota para cada família para que ninguém ficasse a mercê.

O sortido armazém de Seu Armando, que não fechava a não ser no dia da paixão, era porta-voz da cidade, onde todos vinham pedir informações ou deixar recados para algum parente antes de se embrenhar na mata em companhia do gato para abrir fazendas.

Não poucas vezes ao retornarem o movimento era grande no Bar da Chica, do Chico, da Tereza, do Zé Martins e do Joaquim Cabeludo, culminando algumas vezes com desentendimentos por assuntos mal resolvidos regados com uma branquinha, jurubeba e alguns copos de vinho com açúcar e muita falação. A molecada ficava na torcida para ver quem acertaria a orelha do outro primeiro, alguns torcendo para o Vicente Agrimensor e outros para Elidio, momento que era necessário a intervenção da irmã Adelis para tirar o trezoitão e a pexeira, dar uns tapas nos traseiros dos briguentos e acabar com o fordunço.

Já estavam aqui, recepcionando autoridades que vinham prestigiar a recém-criada cidade Vera, seu Roberto e dona Elvira, do Hotel Vera - que continua como na época, sem alterações.

A vila crescia, para quem quisesse fazer seu barraco, Eduardo e Décio forneciam a madeira. Logo depois a Imavel do seu Oraci, (que segundo o menino Jolce quem mandava era Tio Aldo, quando o pai não estava) incrementou atividade madeireira, com toros trazidos por Raulino e Jaime, nos Ford ou Chevrolet.

Toros esses conduzidos na serra com incrível habilidade do "pé de fita" seu Pedro, que tinha na destopadeira o Ditão e Tonho Barela, logo eram transformados. Quando catraca ou piriquito tirava a coluna do eixo, seu Kopp, com massagens com graxa de capivara e banha de tatu, dava um jeito e ainda oferecia uma fezinha do jogo do bicho e loteria esportiva.

No esporte tinha o Vera Futebol Clube e seu Sadi de juiz, que ninguém se atrevia de xingar a mãe, pois tinha em campo o Vilmar briguento, apaziguado pelo Juca, Prexeca, Rudimar e Itamar e como defesa o instransponível Braz, no ataque, Menezes, na lateral Zé Barbudo e Osmarino, eles faziam a alegria da galera nos finais de semana.

Na educação tivemos nomes que estarão eternamente em minha memória, a dedicada Fátima Costa, Ana e Natalia, Tereza Boeing, Neide dos Santos, Terezinha Pagani e os alunos que como professores ministravam pratica industrial, destacavam-se Bruno, Noemia, Terezinha da Luz, Marinete, Juraci, Miltinho e Benicio, esse último pouco habilidoso no manuseio do martelo.

Dos meninos, boas lembranças, faziam consertos e abasteciam o Chevrolet do seu Silvério, com óleo da Pirassununga 51. Em peripécias o “Perigoso” era o mestre, o Itagiba e o diretor Edson que o digam.

Certo dia em um fusca, já surradinho com placa de Lavras - MG, chegava Dr. Elias e Dr. James, dispostos em contribuir com Vera. Certa feita fomos eu e James, incumbidos de levar vacina contra paralisia infantil para o desconhecido Santo Antônio do Rio Bonito. Orientados por Chico e Posidônio, seguimos sobre estivas mata adentro as indicações de cartolinas pregadas em arvores. Padre Antônio estava irreconhecível e James com dificuldades na visão, era época de poeira e o fusca não tinha assoalho, imaginam como ficou o motorista que na época usava brilhantina no cabelo, foi grande a animação e boa a experiência.

Com respeito aos que chegaram antes de mim, impossível descrever e registrar todas suas realizações e dificuldades enfrentadas, registro aqui, algumas lembranças dos bons momentos, pois era assim a vida, simples, mas alegre. Faço essa retrospectiva com carinho e saudades dos que já partiram e agradecimentos aos que com a graça de Deus ainda podem descrever alguns acontecimentos e publicá-los, pois assim, é que se formaram as civilizações e a historia se perpetua.”

“VERA, COM FUTURO VERÁS”

Ass: Alceu Rheinheimer

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